O TÃO TEMIDO OVERTRAINING

Autor: Otavio Jhones, 21, Bachalerando em Educação Física

No semestre passado na faculdade fizemos um seminário sobre Overtraining e sistema endócrino, onde ocorreu um debate muito interessante sobre o assunto. Vou deixar para vocês algumas conclusões que tivemos sobre esse tema que causou bastante discussão em sala.

 

  • Primeiramente, o que é o Overtraining? O Overtraining ou síndrome do excesso de treinamento é um conjunto de sintomas, associados ao treinamento com sobrecarga em excesso, seguido por um tempo insuficiente de recuperação, afetando principalmente ATLETAS. Não sendo o bastante um deload, alimentação equilibrada ou repouso para normalizar o estado fisiológico. Normalmente o indivíduo apresenta melhora entre 30 a 90 dias.

 

“O Overtraining atinge de 10 a 20% dos atletas de alto nível por temporada”

 

 

  • Sintomas do Overtraining: Temos que lembrar que os sintomas são muito variados e não podemos eleger um único para diagnóstico.

Perda da motivação;

Dores musculares;

Aumento do hormônio cortisol (catabolismo);

Alimentação inadequada;

Aumento da incidência de lesões

Sistema imunológico afetado

Insônia

Fadiga e diminuição da força muscular

Baixos níveis de testosterona

Queda no desempenho do treino

 

  • Overreaching: Por exemplo, um atleta ou praticante de musculação, futebol, jiu jitsu, seja qual for a modalidade, não descansar o suficiente para seu próximo treino, ocorrerá o que chamamos de Overreaching. Aparecerá alguns sintomas e consequentemente uma diminuição em seu desempenho físico, mas em um período curto de descanso, ou uma diminuição das cargas (refeed), adaptação e dieta equilibrada estará apto a praticar novamente seu esporte.

“A diferença do Overtraining para o Overreaching é justamente esse tempo de recuperação entre eles”

 

TESTOSTERONA E CORTISOL

Segundo estudos (Simões, Marcon e Oliveira et al. (2004)) comparando a razão T/C entre corredores fundistas (maratona) e velocistas (100m), verificaram que o treinamento de maior volume e menor intensidade apresentou uma queda na razão Testosterona/Cortisol quando comparado ao grupo de velocistas. Esses resultados sugerem que a razão T/C seja mais influenciada pelo volume do que pela intensidade dos treinamentos. Sendo um dos principais indicativos do estado de treinamento, a T/C pode indicar um balanço entre anabolismo e catabolismo.

Banfi, Martinelli e Roi (1993) mostraram que indivíduos em overtraining apresentavam menores valores na razão T/C em comparação a patinadores velocistas que treinavam intensamente, tendo verificado que o aumento no volume de treino foi o principal fator responsável por uma diminuição nessa razão, menor que 30%. Nesse contexto, Uchida, Bacurau e Navarro et al. (2004) mostraram que o treinamento de força após oito semanas em mulheres jovens aumentou a razão T/C na situação de repouso, sugerindo a ocorrência de uma adaptação positiva às cargas impostas. Esses resultados demonstram que a razão T/C pode ser utilizada como uma ferramenta confiável para determinação do estado de treinamento. Além disso, a não-alteração dessa razão em atletas e as variações encontradas em atletas em overtraining demonstram algum padrão de resposta do parâmetro em indicar o nível anabólico e catabólico do treinamento. Mesmo assim, as análises isoladas de cortisol e testosterona não devem ser excluídas.

 

GLUTAMINA

A glutamina é o principal substrato energético para células do sistema imunológico, o baixo volume de glutamina reduz o sistema imunológico, podendo levar o atleta a doenças respiratórias. Em relação ao overtraining, estudos mostram que as concentrações de glutamina foram reduzidas significativamente em indivíduos em overtraining. Kargotich, Goodman e Dawson et al. (2005) verificaram a redução desse aminoácido após inúmeras sessões intensas de treinamento, por isso a importância da suplementação.

 

DIETA

 

A dieta pode ser sim um fator determinante para a aparição do overtraining, principalmente em atletas lutadores ou bodybuilding na fase de competição, por muitas vezes treinar 2 ou mais vezes no dia, com uma restrição calórica muito alta. Caso você não tenha uma ingestão de vitaminas, carboidratos, proteínas ou água suficiente, a recuperação muscular vai ser afetada.

 

Com isso, concluímos que não temos um diagnóstico confiável para o Overtraining, mas as principais alterações fisiológicas nesses casos foram: Diminuição da testosterona (anabólica), concentração de lactato alterado em esforço máximo ou seu limiar, redução da excreção de noradrenalina, aumento do cortisol (catabólica) e níveis de creatinoquinase (enzima muscular) e uréia (prova de função renal) no sangue alterados. Lembrando que os estudos comprovaram a síndrome apenas em Atletas.

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3 thoughts on “O TÃO TEMIDO OVERTRAINING

  1. Artigo muito bom! muito legal entender o porquê daquela desmotivada que acontece as vezes e saber que podem ser sintomas de Overtraining.

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